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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sobre atrasos e outras balelas

Tenho 36 anos e , invariavelmente, chego atrasada em alguns compromissos. Acho que a esta altura da minha vida isso nunca vai mudar. Sinceramente, eu não acho que isso é um problema tão grave. Conheço muitas pessoas que são pontuais, e essa característica (jamais chamarei isso de virtude) às vezes é a única contribuição delas para o seu emprego. Pois chegam no horário, mas fazem coisas alheias ao trabalho o tempo todo. Chegam no horário, mas não trabalham. Chegam no horário, mas passam a maior parte do tempo na sala do cafezinho ou falando sobre a vida alheia (os que se atrasam sempre são o alvo). Ou seja, chegam no horário E SÓ. Sou aquele tipo de pessoa que mesmo quando não vai chegar atrasada, chega. Por que acontece alguma coisa no meio do caminho (um acidente, um engarrafamento, um chuveiro queimado) que acaba me atrasando. Lógico que quando isso acontece ninguém acredita. O mais comum é eu me atrasar por que, DE BOINHA, eu odeio acordar cedo. Eu não vejo sentido nisso, assim como não vejo muito sentido na vida em geral. E quando eu sou OBRIGADA a acordar cedo, aí sim que eu tenho menos vontade ainda de acordar. Às vezes nem é o acordar o problema, o problema é sair da cama "pra viver". Por que o que a gente (eu) tem não é vida, não. A menos que você faça algo que REALMENTE AMA (mais do que tudo, mais do que sua família, mais do que sua casa, mais do que seus animais de estimação) não temos muitos motivos para "sair pra viver". Eu há muito tempo só "sobrevivo". Eu queria poder passar o tempo todo dentro da minha casa, e não por que eu odeie pessoas, mas não sinto falta. Normalmente fico mais feliz quando estou em casa mesmo. Um amigo meu morreu há alguns anos enquanto ia apressado para o trabalho, num acidente de carro. Soubemos disso, primeiro, por que quando a notícia do acidente que causou sua morte saiu no jornal vimos, pelo horário, que ele estava indo para lá. Depois se confirmou que ele teria reunião naquele dia. Uma reunião de equipe que tinha sempre, antes de começar o turno. Uma reunião de equipe que não tinha a menor necessidade de acontecer todos os dias. Uma reunião de equipe que matou ele. Ele tinha vinte e poucos anos, era casado e tinha dois filhos pequenos - um deles de pouco meses. Fico imaginando os motivos que o atrasaram naquele dia: talvez tivesse dado uma ajuda pra esposa dele (tão jovem quanto ele) com o almoço das crianças. Talvez tenha colocado o menor para dormir. Talvez tenha ido levar o maiorzinho na creche e deva ter se perdido em um abraço mais apertado, num beijo de despedida. Talvez a correria do dia a dia não tenha permitido que ele fizesse tudo isso, por que precisava chegar na hora pra não perder o emprego e poder dar o melhor pra sua família. Nessas horas eu me pergunto o que é um atraso perto da vida de uma pessoa, e principalmente da vida daqueles que ficam sem quem amam. Pois bem, ele estava atrasado pro trabalho, acelerou demais, bateu em um poste, os fios de alta tensão caíram na pista e ele, desorientado, desceu (ao invés de esperar ajuda dentro do carro). Morreu eletrocutado. Penso agora nas pessoas no trabalho dele, antes de saberem do acontecido, o que não deviam estar falando sobre ele: "brincadeira, nunca chega na hora", "fulano tem sempre uma desculpa pros atrasos", "aposto que vai dizer que deu um problema com um dos filhos", etc etc etc. Imagino o remorso que não sentiram depois ao saber que ele perdeu a vida por que não queria decepcionar essas pessoas com um atraso de 10, 15, 20, 30 minutos que não ia alterar EM NADA o que ele tinha que fazer naquele dia, pois daria conta, fosse o horário que fosse o da sua chegada. Penso nessas coisas e vejo a merda de vida que levamos. Penso a merda de pessoas que somos. Às vezes eu acordo e tenho dois gatos fofos na minha cama e eu fico ali alisando eles, pegando aquela energia boa de bichos sem nenhuma preocupação na vida além de comer e dormir, pegando forças pra me levantar da cama. Só eu sei o quanto me pesa. Não vou me privar desses minutos de sossego antes de sair de casa por que eu vou perder o Ônibus para vir pra um lugar onde se eu me atrasar 2h não vai fazer diferença nenhuma pra o que eu tenho que fazer. Não vou sair de casa sem tomar meu café por que resolvi dizer a mim mesma a famosa frase "só mais cinco minutinhos". Não vou sair de casa sem tomar banho, isso não tem a menor chance de acontecer. Às vezes eu não deveria nem sair de casa, acho que todos devíamos ter esse direito. Tem dias que eu seria mais útil pra mim e pra sociedade se eu ficasse reclusa, pois o mundo não precisa de mais pessoas estressadas e irritadas andando por aí. Tem dias que eu só quero sumir e não olhar pra cara de ninguém , muito menos ser obrigada a falar. Dar bom dia quando o que eu mais quero é mandar à merda. Esse mundinho hipócrita me enoja. Talvez eu seja mal vista pra sempre por causa disso. Talvez eu esteja errada e o certo seja ser assim igual robô. Mas eu não quero ser robô, não. Desculpa, mas aqui tem uma pessoa. Uma pessoa que não se encaixa nesse mundo das 8h às 18h de segunda à sexta, mas ainda uma pessoa. Talvez mais pessoa do que muitas que eu vejo andando por aí. Talvez ser desse jeito seja o último rasgo de rebeldia que me coube. E é tarde demais pra eu mudar isso. Nem quero.

sábado, 26 de março de 2011

Porto Alegre: a mal entendida

No aniversário de Porto Alegre, um texto de Luis Fernando Veríssimo que mostra um pouco da face da nossa cidade e como às vezes não a compreendemos.

A mal entendida

Porto Alegre vive à beira de alguns mal-entendidos.

Para começar, vive à beira de um rio que não é rio. O Guaíba é um estuário, ou como quer que se chame essa espécie de ante-sala onde cinco rios se reúnem para entrar juntos na Lagoa dos Patos. Mas todos o chamam de Rio Guaíba.


A rua principal da cidade não existe. Você rodará toda a cidade à procura da Rua da Praia e não a encontrará. Usando a lógica - o que é sempre arriscado, em Porto Alegre - procurará uma rua que margeia o rio (que não é rio), ou que comece ou termine numa praia. Se dará mal. Não há praias no centro da cidade, e nenhuma rua ao longo do falso rio se chama "da praia". Finalmente, desconfiado de que a rua principal só pode ser aquela que concentra a maior parte do tráfego de pedestres no centro, você consultará a placa e lerá "Rua dos Andradas". Mas ninguém a chama de Rua dos
Andradas, chamam pelo nome antigo, Rua da Praia. Por que da praia? Ninguém sabe. Só se sabe que ela vai da Ponta do Gasômetro, que não é mais Gasômetro, até a Praça Dom Feliciano, que todos chamam Praça de Santa Casa, passando pela Praça da Alfândega, que já foi praça Senador Florêncio, mas voltou a ser Praça da Alfândega porque ficava na frente da Alfândega - que não existe mais.

Confuso, você talvez entre no prédio da prefeitura para pedir satisfações, só para descobrir que entrou no prédio errado. Existe outra prefeitura, a nova, atrás da velha, que por sua vez tem na frente uma praça chamada não Porto Alegre mas Montevidéu.

Na prefeitura certa talvez lhe digam para ir se queixar ao bispo, tendo que, para isto, subir a Rua da Ladeira até a Praça da Matriz, onde fica a Catedral. Desista. Você não encontrará a Rua da Ladeira, que hoje se chama (só ela se chama, porque ninguém mais a chama assim) General Câmara, e a Praça da Matriz na verdade é a Praça Marechal Deodoro, embora poucos porto-alegrenses saibam disto.

A única vantagem de toda esta confusão é que você precisará de muito tempo para ir decifrando Porto Alegre, ao contrário do que acontece em cidades previsíveis e sem graça como Paris, Roma, etc., onde tudo tem o mesmo nome há séculos - e ir degustando-a aos poucos. Acho que não se decepcionará.

Vencidos os primeiros mal-entendidos e localizada, por exemplo, a “Praça da Matriz”, você pode fazer uma visita ao Theatro São Pedro, um dos orgulhos da cidade com seu prédio em estilo barroco português e sua pequena platéia em forma de ferradura. Há quem diga que é o teatro mais bonito do Brasil. Certamente é o mais bem cuidado. Inaugurado em 1858, esteve fechado por uns tempos e foi magnificamente restaurado para sua reinauguração há poucos anos. Da sacada do seu primeiro andar, onde ficam o foyer e o café, você pode olhar a Praça de cima. Se tiver sorte, os jacarandás estarão florindo. Do outro lado da praça estão a Catedral e o palácio do governo estadual, ou Palácio Piratini, esse no estilo neoclássico francês. Duas coisas surpreendem alguns visitantes em Porto Alegre pela quantidade insuspeitada: a arquitetura neoclássica e os jacarandás.

Saindo do Theatro São Pedro você pode aproveitar para dar uma olhada na Biblioteca Pública (outro exemplo do estilo neoclássico), e principalmente uma espiada no seu Salão Mourisco, ricamente decorado. Desça a Rua da Ladeira. Está bem, a General Câmara. Você chegará ao chamado Largo dos Medeiros e a outro mal-entendido municipal. O largo tem este nome extra-oficial em homenagem a um café que tinha ali e não tem mais. Não, não se chamava Café Medeiros, os donos é que se chamavam assim. Não importa, vire à esquerda e siga pela Rua da Praia - dos Andradas! dos Andradas! - passando a Praça da Alfândega, onde todas as primaveras se realiza a famosa Feira do Livro de Porto Alegre.

Depois de uma curta caminhada você chegará ao antigo Hotel Majestic, hoje belissimamente transformado na Casa de Cultura Mario Quintana, com teatros, cinemas e salas para cursos e exposições. Vale a pena entrar para ver o que foi feito do velho hotel e ir até o Café Concerto na sua parte superior, ou então deixar para voltar lá na hora do pôr-do-sol. Um pouco mais adiante na mesma Rua da Praia, à sua esquerda, você verá a igreja Nossa Senhora das Dores, com uma grande escadaria na frente. A fachada e a escadaria são iluminadas à noite, é uma das bonitas visões da cidade.

Volte pela mesma Rua da Praia em direção ao centro. Ao chegar à Avenida Borges de Medeiros, pegue a esquerda e desça até o Mercado Público, perto da prefeitura e da já citada Praça Montevidéu, onde está a graciosa Fonte de Talavera de la Reina, um presente da comunidade espanhola à cidade. Passeie dentro do mercado e veja as suas "bancas" especializadas, como a que vende vários tipos diferentes de erva para o chimarrão. Os morangos com nata batida da Banca 43 são famosos.

O pôr-do-sol não pode ser reivindicado como atração turística de Porto Alegre, já que tecnicamente ele acontece fora dos limites estritos do município, mas saber se colocar para assisti-lo é uma das artes da cidade. O novo Café Concerto, na cúpula do antigo Hotel Majestic, com uma vista desimpedida do “rio” e do poente, já tem seus adeptos, mas o ponto tradicional dos crepusculistas é o mirante do Morro de Santa Teresa. Você precisará de transporte para ir do centro até lá e se for de táxi, para evitar outro mal-entendido, diga ao motorista que quer ir ao “Morro da Televisão”. Do mesmo mirante você terá a melhor vista da cidade, cuja topografia já foi comparada à de São Francisco na Califórnia. E verá, lá embaixo, o imponente estádio do grande Sport Club Internacional.

Outro bom lugar para se olhar a cidade e o pôr-do-sol é o Morro do Turista. Para chegar lá você precisa pedir para ser levado ao Morro da Polícia. É o mesmo morro.

Aos domingos pela manhã, boa parte da população de Porto Alegre vai ao “Brique da Redenção”, assim chamado porque fica no Parque Farroupilha. Calma. O Parque Farroupilha, um dos maiores parques urbanos do mundo, é conhecido pelos porto-alegrenses como Parque da Redenção. Ou, sucintamente, “a Redenção”. “Brique”, na língua gaúcha, é o encurtamento de “briqueabraque” e é uma feira de antigüidades em que tudo, até revista da semana passada, é considerado antigüidade. Mas em meio às porcarias assumidas, há louças e pratarias, livros valiosos, selos e moedas e principalmente muita gente vendendo, comprando ou só passeando.

O parque se chama Farroupilha em homenagem à revolução do mesmo nome que os gaúchos fizeram em 1835 contra o império, proclamando a República Rio-grandense. Mas, embora todo mundo aqui hoje comemore a insurreição, Porto Alegre manteve-se fiel ao governo central e por isto mereceu o título de “leal e valorosa cidade” conferido pelo imperador Pedro II, e que está no seu brasão.

Outro mal-entendido.

(Veríssimo, Luis Fernando. Traçando Porto Alegre - Artes e Ofícios - 2009)

sábado, 27 de novembro de 2010

Disciplina

Por que eu não consigo manter este blog atualizado???

Falta-me disciplina!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia do Amigo

Sinceramente, até hoje não sabia o motivo de se "comemorar" no dia 20 de julho o DIA DO AMIGO, embora há alguns anos eu receba e envie mensagens nesta data. Mas me parece ser uma coisa recente. Acho que os primeiros bilhetes e mensagens que faziam alusão ao dia do amigo eu recebi quando tinha uns 12, 13 anos. Tá, faz então uns 17 anos, mas enfim, é recente. Ou é impressão minha?

Agora o Oráculo Google me traz a seguite informação:
O dia do amigo foi adotado em Buenos Aires, Argentina, com o Decreto nº 235/79, sendo que foi gradualmente adotado em outras partes do mundo. Foi criada pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro. Ele se inspirou na chegada do homem à lua, em 20 de julho de 1969, considerando a conquista não somente uma vitória científica, como também uma oportunidade de se fazer amigos em outras partes do universo. Assim, durante um ano, o argentino divulgou o lema "meu amigo é meu mestre, meu discípulo e meu companheiro". fonte: http://www.ilhado.com.br/index.php?id_editoria=24&id=1178

A amizade é realmente um sentimento a ser comemorado, ainda mais quando paramos para pensar e vemos que AMIGOS mesmo são poucos em nossas vidas. Aqueles que realmente fazem diferença, que deixam saudade ou que continuam sendo importantes mesmo que a gente só os veja uma vez por ano - às vezes nenhuma vez. Aqueles que foram inseparáveis, mas que por algum motivo sumiram no mundo e nunca saíram da nossa memória, da nossa história, do coração mesmo. Sinto falta de ter meus amigos mais perto...

Acho que a época da escola - falo de ensino fundamental e ensino médio - é a mais favorável para fazermos amizades duradouras. E quem não ia todo dia para a escola só por causa dos amigos que atire a primeira pedra. Nossa, como era bom aquele tempo! É o tal de "tempo bom que não volta nunca mais". Minhas melhores amigas daquela época são as que ainda estão comigo até hoje. Cada uma tomou um rumo diferente na vida, mas acho que elas sabem - assim como eu sei - que quando precisarem de mim é só dar um grito que eu ouvirei onde quer que esteja... Mas dá uma saudade de estar sempre junto...

Dia desses lembrei de um e-mail antigo que circulava na rede e falava desta coisa de nunca termos tempo para as pessoas que são importantes para nós, sempre deixamos os compromissos com elas para outro dia, outra hora, quem sabe no mês que vem? Vamos combinar alguma coisa pro final de semana? Não deu. E no final do ano, será que a gente consegue se ver? Quando vemos, passam dias, meses, anos e aquela pessoa tão bacana que sentimos tanta falta fica sempre em segundo plano, por maior que seja a nossa vontade de encontrá-la. Isso não coloco em dúvida. O problema é que vamos deixando o barco correr... e às vezes não sobra tempo nem para a gente deixar bem claro para estas pessoas o quanto elas são importantes para nós.

Pior é quando acontece alguma coisa no meio do caminho - alguma coisa ruim - e daí todo mundo, de repente, tem tempo. Tá certo que amigo é para as horas ruins também, mas vamos tentar curtir mais as horas boas? São essas que vão ficar na lembrança, é isso que quero guardar...

Um amigo faz a gente se sentir importante quando pede um conselho, mesmo quando não sabemos direito o que fazer com nossas próprias vidas, ele coloca o destino dele nas nossas mãos. Também já tive muito amigo falso, mas mesmo com esses eu aprendi (e ensinei) muitas coisas. Teve gente que eu tenho certeza de que poderia ser um grande amigo ou uma grande amiga, mas não houve tempo de aprofundar esta amizade. Teve gente que me decepcionou, peço desculpas se decepcionei alguém. Mas nem amigos são perfeitos...

Enfim, este blá blá todo é para dizer que é legal ver que pelo menos neste dia as pessoas que queremos bem arranjam um segundo para nos dizer o quanto gostam ou lembram da gente com carinho e que esta data não virou - ao contrário de muitas que estão no nosso calendário - uma data comercial, voltada à troca de presentes esvaziados de valor simbólico.

Pelo menos no dia do amigo as pessoas ainda trocam sentimento...



domingo, 6 de dezembro de 2009

A Mulher de 30 anos

"Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. a mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer."

Trechos do livro "A mulher de trinta anos" de Honoré de Balzac (1832).


Eu: a mulher de 30 anos

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Mentes Brilhantes - II



Carla Barbosa, Caio Riter, Luis Dill, Valesca de Assis, Ana Terra, Raquel Grabauska, Laura Castilhos, Joãocaré e seu filho Cauê, Elaine Maritza, Cláudia Bechler e Christian Davi: escritores, ilustradores e Equipe Artes e Ofícios no 2º Encontro Divulga Leitura (05/08/2009).

sábado, 25 de julho de 2009

Som e Fúria

" o fim do homem é sempre mais marcado do que seu início
O pôr-do-sol,
a música de encerramento,
assim como a última mordida num doce
sempre é mais doce no final.
O que é escrito na lembrança vale mais do que o que ficou perdido no passado"

sábado, 6 de junho de 2009

Mentes brilhantes

















Caio Riter, Cláudia Bechler, Raquel Grabauska, Carla Barbosa, Hermes Bernardi Jr., Elaine Maritza, Cláudio Levitan, Joãocaré, Christian David

domingo, 24 de maio de 2009

De Regina Zilberman sobre a literatura/leitura

Não fossem a fantasia e a capacidade de imaginar, provavelmente não
existiríamos como seres humanos. No sonho, o imaginário se expande e expressa
o que mais cobiçamos; mas precisamos da linguagem verbal para colocar em
palavras o que as imagens oníricas confessaram. Sem passar do visual para o
verbal, o sonho se perde, levando consigo sua carga de desejos insatisfeitos,
problemas mal resolvidos, traumas e culpas.

domingo, 8 de março de 2009

Dia internacional da Mulher

Receita de mulher

Vinícius de Moraes

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República [Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Qu tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da [aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que tudo seja belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Eluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como ao âmbar de uma tarde. Ah, deixai-e dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) e também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é, porém, o problema das saboneteiras: uma mulher sem [saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de 5 velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de [coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima [penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca [inferior
A 37° centígrados podendo eventualmente provocar queimaduras
Do 1° grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro da paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer [beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ele não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Por que 2008 foi um bom ano?

Contrariando a lenda, 2008 apesar de ser um número par foi um bom ano para mim por que...

... aceitei que tinha um problema atravancando a minha vida e busquei solucioná-lo.
... acreditei que eu tinha o direito (e porque não dizer o DEVER) de tirar minha vida da estagnação.
... revi pessoas queridas que fizeram e fazem parte da minha vida (galera do Tietbölh e Tauras, é com vcs!!)
...vi minha filha ficar cada vez mais linda e esperta!
...passei no concurso da Caixa (E EU QUE ACHAVA QUE PASSAR NESSAS COISAS ERA IMPOSSÍVEL - detalhe é que não estudei)
...passei em primeiro lugar no vestibular de Letras da FAPA
...comecei a cursar uma faculdade que realmente me encanta e satisfaz
...conheci pessoas interessantes e inteligentes, novos amigos
...aprendi a dizer o que penso sem medo de errar e me tornei uma pessoa melhor
...tirei ótimas notas nas cadeiras que cursei este semestre
...comprei e li muitos livros
...troquei de emprego e agora estou onde gostaria de estar e estou muito feliz com isso!
...trabalhei na FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE!
...viajei com minha filha para Gramado e fizemos muitos passeios juntas.
...comprei um computador novinho em folha, realizei um desejo meu.
...vim para FLORIPA no Natal e estamos curtindo muito uns dias de descanso!

Chega de olhar o copo meio vazio... EU QUERO É COPO CHEIO!!!!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Um pouco de Emily Dickinson

Dizem: - Com tempo passa
Mas não passa na verdade
Sofrimentos enrijecem
Como tendões, com a idade
Tempo testa o sofrimento,
Mas não é o seu remédio.
Se passa ao passar do tempo,
Não havia enfermidade.


Tenham uma boa noite!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Qual flor você é?

Papoula
A Papoula representa a terra. Você traça um caminho e corre atrás dos seus objetivos pessoais e profissionais. Na verdade, quem é Papoula, vive a sua vida e respeita o espaço do outro. Sua palavra é a independência. Na Rússia, permanecer uma Papoula significa ficar sozinho ou solteiro.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Chega uma hora na vida da gente...

Chega uma hora na vida da gente que já não basta acordar, levantar, arrumar-se, sair, fazer as coisas mecanicamente, sem nada de NOVO, sem nenhum prazer, sem nenhum aprendizado. Chega uma hora que cansamos da vidinha que levamos. Mas não percebemos exatamente o que é que está faltando, o que podemos melhorar, o que é preciso MUDAR. Não enxergamos o ÓBVIO, atrelados a correntes que nós mesmos criamos para disciplinar nossas asas. Demoramos muito tempo, às vezes anos, fazendo as mesmas coisas que não gostamos, reclamando, nos tornando chatos e intolerantes, mas também não fazemos nada pra resolver a situação. Nos acostumamos com ela.



Eu cansei. E cansei de dizer que estou cansada de tudo isso. Não quero mais estar cansada da rotina, quero aprender coisas novas, ter um novo rumo, uma nova oportunidade. Só que oportunidades não batem na nossa porta. É preciso ir buscá-las...