Pois é. Na primeira aula de Português da Faculdade de Letras me deparei com este fato novo. Uma visão atual da nossa Língua aponta que devemos, principalmente aqueles que pretendem seguir na carreira de licenciatura, abrir nossas mentes para a realidade da variação lingüistica.
A questão é bastante ampla e controversa, mas de fato importante para a discussão em sala de aula e na sociedade. Segundo Marcos Bagno, autor de Nada na língua é por acaso, a variação pode ser um fator de exclusão social.
Já por todo debate ocasionado em aula pude avaliar a complexidade do tema. No meu entendimento, Bagno quis dizer que a variação linguistica não é um erro, mas sim resultado da diversidade cultural e também da desigualdade social de nosso país. Boa parte da população acaba sendo discriminada na sociedade por falar "nóis veio"ou "nóis fumo". O que pode ser gramaticalmente errado, para o autor é apenas o reflexo de uma sociedade multifacetada, na qual nem sempre a Educação (com letra maiúscula) está disponível para todos.
O "erro", nesta visão, é não levar em consideração que no Brasil falar "nóis vai' é mais comum do que falar "nós iremos", ou seja, que a linguagem coloquial é muito mais usada do que a padrão ou culta. Também é preciso considerar que a linguagem falada é muito mais ampla, mais utilizada e que permite uma série de desvios da norma culta padrão, o que não é aceitável na linguagem escrita. A noção de "certo" se baseia apenas em uma obra, a Gramática. É uma visão limitada e antiquada, porém ainda é a que norteia o ensino e aprendizagem da língua Potuguesa. O que os lingüistas propõe é uma maior flexibilidade dos docentes e uma reflexão das raízes dos "problemas" da linguagem para que possamos ser parceiros de nossos alunos na busca de um falar e de um escrever que não desprestigie ninguém e que seja mais um elo de inclusão e não o oposto, como ocorre hoje em dia.
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3 comentários:
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"...é apenas o reflexo de uma sociedade multifacetada..."
Muito profunda essa frase!
Beijo
eu nem ia opinar, mas vamos fazer volume nos commens entao.
sou super a favor da exclusáo pela lingua. e tenho dito.
VIVA PASQUALE!
hauahuahuhauhuahuahaua
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